quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Noivando

No dia dois de fevereiro, um dia antes do aniversário do Dê, acordei cedo, mas não muito. Segui minha rotina de levar minha mãe para seu trabalho, fui direto fazer compras, fiz ginástica... Quando estava saindo da academia recebi quinhentas mil ligações da minha chefe e um recado enlouquecido: "Natalia, onde você está??? As mães estão querendo me matar e a diretora tendo um filho colorido!!! A aula era 9:40!!! Bom, me liga para eu saber o que aconteceu contigo e dar uma desculpa pra diretora. Beijo."
Pensei: Morri.
Me confundi completamente... Pensei que as aulas começavam semana que vem... Corri pra casa, engoli um almoço, peguei minhas coisas e voei pra Barra. Liguei pra chefe me explicando e que eu já estava a caminho. Para os pais não fazerem um motim e tirarem seus filhos todos de uma vez da escola, ela conseguiu remanejar o horário para aquele dia. Foi uma das piores aulas que já dei... Pirraças, crianças fugindo de sala, fazendo xixi, muito choro e grito e eu tentando ensinar Ginástica Ritmica... Fiquei mal, mal, mal... Dei minhas aulas de sapateado a tarde e, sem lanche e sem banho, fui para o CIEP por volta das 6 da noite. Não teve aula.
Liguei pro Dê pra gente se ver. "Vamos sair pra comer alguma coisa?", ele perguntou. Vambora.
Dificilmente decido fazer as coisas assim de última hora, tenho uma família que sempre está precisando de mim, principalmente minha mãe; antes era vovó para cuidar, agora é minha mãe. É uma relação estranha que me consome, atrapalha meu relacionamento... Ainda bem que Dê é paciente e me ama, senão já tinha me deixado há muito tempo. Tive esse impulso de aceitar porque para ela eu estaria dando aula até 10 da noite, então eu teria essas horinhas com ele para desabafar meu dia e me alegrar com sua companhia.
_Onde vamos?
_Vamos comer comida japonesa?
_Bora! Onde?
_No Gensai mesmo.
Esse restaurante já mudou de nome mil vezes e sempre serviu comida japonesa. Amamos essa culinária e esse lugar. Foi lá que, no dia dos namorados de 2009, pus uma aliança de prata no copo dele depois de pedir que ele fechasse os olhos. A partir desse dia ele entendeu que nossa fase de incertezas se iríamos ficar juntos pra sempre chegara ao fim e que eu estava pronta para ser só dele.
O restaurante não é muito grande e nem sempre tem muita gente. Só o vi lotado nesse dia dos namorados de 2009. Tinha só uma mesa com um grupo e que nós conhecíamos.
Pedimos pratos que nunca comemos (Giosa e Hot Filadelphia. De sobremesa o se sempre: banana caramelada com sorvete), falei do meu dia, reclamei que eu estava suja de um dia inteiro, vestida com roupa de dança, que a gente podia ter ido lá outro dia... Ele, como sempre, me disse que eu estava linda. Me contou seu dia e percebi que estava feliz.
_Pega minha mochila? _pediu ele. Peguei a mochila que estava ao meu lado no sofá. _Fecha os olhos.
Eu sabia. Algo em mim já sabia o que estava acontecendo. Fiquei dormente. Não tanto como eu imaginei que ficaria quando chegasse minha vez, mas mais do que alguém que já fez até blog sobre isso ficaria.
Ele disse no meu ouvido com aquela voz pela qual me apaixono toda vez. A voz mais linda do mundo, a voz do meu amado, que eu reconheço em qualquer lugar.
_Quer casar comigo?
Abri os olhos e vejo uma caixinha preta de veludo na mesa.
Comecei a chorar.

Fiquei muito tempo olhando pra caixinha, chorando... Passava pela minha cabeça tanta coisa... Até todas as formas de se pedir alguém em casamento e que eu não teria porque aquela era a minha. Já nos pedimos em casamento tantas vezes... A primeira vez que ele me pediu estávamos numa das piores fases do nosso namoro, numa fase tão egoísta da minha parte que ele nem sabía que estávamos prestes a terminar.
Depois que decidimos por casar e começamos a organizar as coisas de forma prática, a idéia de ser pedida em casamento como nos filmes ficava cada vez mais longe da realidade. Eu achava até que eu nem usaria uma aliança de noivado. E eu olhava pra ele, olhava pra caixinha e chorava. Será que alguém viu o que estava acontecendo?

_Sim. _e o beijei.

_Mô, abre logo! _peguei rápido a caixinha e abri.
Vi nossas alianças e fiquei olhando e enxugando as lágrimas.
Nossas alianças são simples, finas, diferentes de tudo que imaginei pra mim. Mas, sinceramente, a cada dia acho que são as alianças mais perfeitas que alguém podia ter. A simplicidade delas não esconde o verdadeiro sentido, revela nossa realidade. Não é uma jóia, é um elo.
Pomos as alianças fazendo votos e a minha quase caiu no chão de tão larga, heheheh. Na semana mesmo fui ao ourives e passei a usar a de prata na mão esquerda.

Depois ele me disse que comprou-as ano passado e que ensaiou muitas vezes fazer o pedido, mas eu sempre tinha que fazer alguma coisa pra minha mãe, sempre tinha um compromisso, sempre estava cansada... Ele esperou o momento pacientemente, assim como me esperou... Quase ficamos noivos no natal, mas ele não conseguiu fazer o pedido. Acho que é por ser discreto.

Na saída compramos biscoitos da sorte. Nem lembro o que estava escrito, naquele dia eu já tinha minha sorte.

3 comentários:

  1. Dê, te amo muito! Quer casar comigo?

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  2. Q lindo Natalia!
    Tbm chorei quando meu noivo me pediu...Acho q nunca vou esquecer aquele dia!
    Bjs

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  3. Não desanime Natalia. Falta pouco !!!!
    Tenho realizado a filmagem de muitos Casais do Rio de Janeiro, que se apaixonaram por Petrópolis;
    Sei que não tivemos a oportunidade de mostrar nosso trabalho.
    Grande abraço para Vc e o Dê.
    Rafael - Creative Produções Filmagem Digital
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